Bauru é tipo um enigma para mim. Morei lá pelos primeiros dezoito anos da minha vida. Mas não foi suficiente para entender aquela cidade. Ela é tipo uma entidade, uma coisa cósmica, uma força maior que paira sobre seus habitantes e resulta em conseqüências inimagináveis. E irreversíveis na memória.
O mais recente episódio de toda essa magia bauruense aconteceu há umas semanas quando por algum motivo alguém me escreveu por Orkut que havia uma estátua de sanduíche em Bauru, mais especificamente no Parque Vitória Régia, aquele cartão-postal tão lindo que seria cenário de uma linda represa para conter a água da chuva se Estela tivesse ganhado as últimas eleições. Enfim, questionei o bafo via Twitter e alguém não só confirmou a existência de uma estátua como já me informaram que ela havia sido roubada.
Meu, pera um pouco. Já começa o fato de uma cidade ter como símbolo um sanduíche. Ok, aqui no Japão tem uma cidade que tem uma estátua de gyoza, então vai, não sejamos tão chatos com a cidade. Afinal, é um motivo de orgulho (???).
Mas a coisa não tem fim. É Bauru, a cidade sem limites. Descobri que a estátua tinha nome. “Bauruzinho”. Meu. Bauruzinho é aquele pastelzinho farofa que você come no Rei do Mate. E é o nome mais fácil. Tipo quando agência lança mascote para uma empresa. Sempre é nome-da-empresa-inho. Mas aí eu fico pensando, que nome você daria para uma estátua de sanduíche? (Se bem que a pergunta deveria ser: “uma estátua de sanduíche precisa de nome?”)
E até então eu nem tinha visto o tal Bauruzinho.
Bom, estava eu todo pimpão pela internet quando alguém me solta a máxima: “Gente, olha a Fátima Bernardes falando do roubo da estátua”. Como assim? Roubaram a estátua? ROUBARAM? Como se rouba uma estátua? Imaginei, sei lá, algo de pedra, mas não.
Quatro universitários foram presos, na madrugada de hoje (5), depois de carregarem o monumento do Bauruzinho, um sanduíche gigante de fibra de vidro, de uma praça de Bauru até a república onde moram.
Gente, o negócio é de fibra de vidro. É o que se usa para fazer lixo com cara de palhaço que tem em escola pública. Não à toa eles conseguiram roubar o trem. Ah sim, ele era preso ao chão. Vejam:
Meu, os pés são tomates. Tomates. Com duas varetas de metal.
E veja: ele tem um palito espetado na testa. E os olhos são picles. A língua deve ser um rosbife. Gente, é temeroso. Não é simpático. Eu imagino um filme B de terror com ele. E os desocupados roubaram esse troço horroroso. (O melhor da matéria é que o Bauruzinho já virou um símbolo da cidade. Ele acabou de fazer um mês.)
Para o empresário Jad Zogheib, idealizador do Projeto Bauruzinho, a ação dos estudantes não tem explicação.
E para completar: o “projeto” é do dono do mercado. Bauru é realmente uma cidade sem limites. Mas tudo bem. Roubaram o pingolim da estátua do Manequinho.
PS.: O que importa é projeção. De toda a região. Pederneiras nos jornais!



[...] não inclusa (aí o preço ia ficar alto demais). Gente, como assim. Vou leiloar Bauru. Incluindo o Bauruzinho. No Comments Leave a Commenttrackback addressThere was an error with your comment, please try [...]